sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Influência Indígena, Portuguesa e Negra na Música e na Dança Brasileira. Especificamente no Carimbó.

*karla charone


RESUMO

Neste artigo iremos abordar as influências indígenas, portuguesas e africanas na musica e na dança popular brasileira, mas especificamente no carimbó. Iremos falar a respeito de como houve essa junção que envolve ritmo, raça, religiosidade, elementos místicos amazônicos e folclore luso. Analisando sua trajetória desde a chegada da família real em 1808 até os dias atuais, passando primeiramente por uma breve concepção do que é a musica e a dança no geral.

Palavras chave: Musica e Dança. Influência. Amazônia. Indígena. Africanos. Portugal. Folclore. Boi Bumbá. Carimbó



INTRODUÇÃO

Desde que o mundo é mundo o homem busca meios de expressar seus sentimentos, em estudos realizados por historiadores, constatou-se que na época das cavernas o homem já se expressava por meio de rituais que envolviam danças e cânticos, logo se vê que essa busca é natural do ser humano e não só do ser humano mais de muitos animais que também tem a música e a dança para se expressar, como os canários que em seu ritual de acasalamento cantam e dançam para seduzir o parceiro, o pingüim que precisa cantar mais forte e mais bonito pra ganhar sua esposa, a baleia com sua opera das profundezas, então, é correto dizer que a música e a dança é incontestavelmente parte da expressão dos sentimentos, sejam bons ou ruins. Através delas podemos ter a idéia de como se deu a história pela formação cultural, cada período vivido pelo homem teve a música e a dança como a tradução de seus sentimentos e reconhecimento de sua época, nos fazendo entender de que maneira surgiu nossa cultura, nossas tradições e que influências elas trouxeram para a musicalidade e a dança do mundo e nosso estado, Belém do Pará mais especificamente na musicalidade do carimbó.

A influência indígena foi de suma importância, para qualquer evento que ocorra na tribo há um ritual repleto de música, dança tradição e significação. Foi isso que os jesuítas e os portugueses sentiram ao chegar ao Brasil, essa envoltura mística e sedutora dos batuques indígenas, essa facilidade de expressar suas emoções pela música e pela dança fascinou o povo estranho que tinha chegado ali, com os cânticos improvisados de boas vindas ou quem sabe de lastima por enxergar um futuro não muito agradável com tal chegada, Com os pés batendo, os adornos de sementes que davam sonoridade, os instrumentos feitos da natureza sem muita técnica, era apenas o pau, a corda e as sementes, tudo isso encantou os estrangeiros e encanta a todos que ouvem e sentem o sentimento indígena nos dias atuais.

Com a chegada dos portugueses em terras brasileiras também vieram seus costumes, sua religião, sua arte, sua dança e sua musica que eram bem diferentes da dos índios e vieram os seus instrumentos musicais, o violão, cavaquinho, flauta, sanfona, viola, violino clarineta, violoncelo, contrabaixo, oficlide, o piano, as danças e os cantos tradicional luso que existem até hoje, se tornaram as cantigas de roda: “Boi,boi,boi,boi da cara preta...”. Devido Portugal ser o colonizador, ele entranhou sua cultura de forma significativa na terra Brasilis e de maneira mais devastadora a sua religião católica apostólica romana, fazendo com que muitas tribos indígenas se disseminassem e junto com elas todo o canto e toda a glória dos antepassados, fazendo com que os índios aprendessem uma nova cultura, mas claro que como toda classe dominada teve sua resistência, a música e a dança, e que por mais que estivessem entranhados da cultura lusa, eles ainda faziam seus rituais em memória aos antepassados e as tradições, misturando com as tradições portuguesas, como por exemplo, o bumba-meu-boi que começou pelos jesuítas que recorriam a este folclore popular português para ensinar a língua portuguesa e também para atrair os pagãos para a vida correta de ser cristão e que ao entrar em contato, os índios começavam a dar o seu toque, o seu jeito em memória a sua cultura “perdida”. Em 1538 mais uma forte cultura estava desembarcando no Brasil através navios negreiros, os africanos. Capturados de sua terra materna vieram para ser escravos, em um local desconhecido, junto com eles, vieram seus lamentos, sua saudade, o fim de sua liberdade e uma resistência, cujo, a qual ninguém poderia arrancar de seus peitos, a sua cultura e seus rituais e assim como os índios implantaram sua resistência nas tradições portuguesas, fazendo seus rituais, seus cânticos, sua dança, seus lamentos,sua saudade em forma de musica e dança e incorporando em rituais religiosos português. Também trouxeram instrumentos com eles, a cuíca, ganzá, agogô, berimbau, chocalho, marimba, pandeiro, tambor, triangulo, xeque xeque.

Toda essa cultura se misturou, toda a musicalidade se transformou graças aos, índios, portugueses e os africanos e muitos gêneros musicais se formaram, muitas danças se aperfeiçoaram introduzindo um pouco de cada ordem do tripé cultural brasileiro e dentre o que mais se destaca na região paraense, que ainda serve como forma de resistência, como ritual, como misticismo, como sensualidade, é o carimbó, patrimônio cultural paraense o carimbó tem duas teses de como nasceu; A primeira foi de que com o fim da escravatura os índios ficaram muito alegres e começaram a entoar sua música de alegria dentro de suas tribos, os negros “livres” que ali perto estavam, ouviram e ficaram admirando tanta musicalidade, alegres invadiram a roda indígena e começaram a cantar sua alegria compartilhando sua voz já que os índios apenas dançavam e tocavam os instrumento e nada diziam assim nasceu o carimbó segundo o nosso querido e amado mestre Verequete, “ ... A ilha do Marajó tem grande povoação, foi lá que nasceu o carimbó no tempo da escravidão...”

A segunda explicação foi que o carimbó nasceu com a tribo tupinambá, que eram conhecidos como semi-deuses, segundo historiadores, o carimbó era uma dança monótona artística, como a maioria dos rituais indígenas, esta manifestação artística ao entrar em contato com os negros ganhou uma roupagem mais alegre, mais dançante e sensual, tornou-se uma espécie de batuque muito atraente para quem ouvia chamando atenção dos colonizadores, que envolvidos com a sonoridade acabavam sendo espectadores e também participantes dando uma parte de sua cultura a este ritmo, misturando expressões corporais de cunho português tradicional e partilhando alguns instrumentos como o cavaquinho, as cores das saias rodadas das mulheres, as camisas soltas dos homens.

A denominação da "Carimbó" vem do titulo dado pelos indígenas aos dois tambores de dimensões diferentes que servem para o acompanhamento básico do ritmo.

Na língua indígena "Carimbó" - Curi (Pau) e Mbó ( Oco ou furado), significa pau que produz som. Em alguns lugares do interior do Pará continua o título original de "Dança do Curimbó". Mais recentemente, entretanto, a dança ficou nacionalmente conhecida como "Dança do Carimbó", sem qualquer possibilidade de transformação.

Durante toda a trajetória do carimbó desde o Brasil colônia até a ditadura; tentaram calar as classes dominadas, silenciando esse grito de resistência que foi e que é o carimbó, mas nunca conseguiram mesmo com leis municipais de silêncio o carimbó resistiu e existe até hoje para trazer alegria para quem tem a vida sofrida pelos calos do trabalho e pelos calos da pobreza e que graças a esse tripé cultural, índios, portugueses e negros é um patrimônio cultural paraense que deve ser mais valorizado do que é, é nosso, é do Pará.

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